Dilema de combate kowalista
No auge dos anos 70, o movimento kowalista encontrava-se diante de um dilema que gerava intensos debates e reflexões: a questão de como lidar com as notícias falsas e as teorias conspiratórias promovidas por jornais antikowalistas, com destaque para as obras do infame Claudio Canario e do movimento Conserva Dores (CD). Canario, em sua mais recente investida, acusava os kowalistas de manipular e hipnotizar jovens através dos ruídos transmitidos pela Radio Modular Kowa. Segundo ele, esses sons perturbadores estavam sendo usados para controlar a mente dos ouvintes e promover uma agenda subversiva.
Alguns kowalistas mais antigos, seguindo a linha de pensamento do "não alimentar o monstro", argumentavam que responder a essas teorias era dar-lhes uma credibilidade que de outra forma não teriam.''Não se debate o inexistente'' - diziam. Acreditavam que entrar no debate público sobre conspirações só serviria para legitimar essas narrativas distorcidas. Para eles, a melhor estratégia era ignorar as notícias falsas, confiantes de que a verdade do kowalismo prevaleceria por si só.
Por outro lado, havia uma facção mais agressiva dentro do movimento kowalista que defendia a necessidade de enfrentar diretamente as acusações e teorias absurdas disseminadas por Claudio Canario e seus comparsas antikowalistas. Para esses kowalistas, a atitude passiva era equivalente a admitir uma derrota moral e permitir que essas teorias se espalhassem sem oposição. Eles acreditavam que, ao responder com sátira e ridicularização, poderiam expor o absurdo das alegações e desarmar o discurso antikowalista.
A primeira resposta oficial dos kowalistas a Claudio Canario saiu na revista ''Alas de Kowala'', em março de 1975.
Segue trecho:
''Canario, meu caro, sugiro que saia um pouco mais, deixe de lado as sombras que obscurecem sua visão e se permita experimentar a beleza do kowalismo. É triste constatar que Canario é apenas uma marionete nas mãos de seu jornal e de suas teorias conspiratórias. Ele segue como um cordeiro obediente, incapaz de enxergar além das narrativas previsíveis que lhe são alimentadas. Lamento informar que sua visão limitada está, de fato, hipnotizada, mas não pela Radio Modular Kowa, e sim pela sua própria falta de perspicácia. Enquanto Canario se perde em suas teorias, nós, kowalistas, celebramos a liberdade de expressão e a expansão dos limites da mente humana. As melodias "ruidosas" que ele critica são o chamado para uma realidade mais ampla e profunda, uma que ele, em sua ingenuidade, não consegue compreender.
Canario não consegue sonhar
Canario é uma ave sem chão
Canario não sabe ekowalizar
Canario é o Rei da consPIRAÇÃO''
Daniela Oliveira
Cultura Kowa
2008

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